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O Intercon 2008 e a polêmica da inovação

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No último sábado aconteceu em São Paulo o Imasters Intercon, o maior congresso sobre Internet do Brasil. Daqui da Lápis Raro, marcaram presença eu, Steffania Paola e Júnio Vitorino. O tema do evento foi “Inovação Digital”. Para discuti-lo, foram convidados grandes nomes do mercado nacional. De blogueiros consagrados a presidentes de grandes empresas.

Neste ano, o evento se propôs a inovar na sua própria fórmula. No palco principal, ocorreriam sempre duas palestras simultâneas. E, através de um fone de ouvido, a platéia poderia escolher qual das apresentações iria acompanhar.
Pelo menos era assim que deveria ter sido.

Os acertos

Na abertura do evento, Stelleo Tolda, presidente do Mercado Livre, fez uma boa apresentação. Mostrou o cenário atual do e-commerce brasileiro e ainda comentou sobre como conseguir inovar nesse cenário.

Em seguida, Gil Giardelli, CEO da Permission, trouxe uma palestra muito interessante sobre a “humanidade 4.0”, discutindo o futuro da Web colaborativa. Devido a problemas do evento (discutidos mais a frente no post), Giardelli não conseguiu terminar sua apresentação.

Já na parte da tarde, um dos grandes destaques do evento foi a dobradinha de Manoel Lemos e Daniel Heise, falando sobre projetos inovadores. Suas palestras souberam desenhar muito bem o cenário atual e ao mesmo tempo colocar a platéia para pensar em questões muito mais subjetivas. Excelente.

O último destaque positivo do evento é o painel Fat5, com 5 grandes figuras da comunicação digital do país como Mentor Muniz Neto (Bullet) e Ricardo Cavallini. O Fat5 trouxe muito conteúdo para se discutir com toda a platéia. Perguntas enviadas anteriormente foram respondidas no palco; toda a platéia pode opinar através de cartões, enfim: Muita inovação e esforço dos palestrantes para fazer um painel realmente interessante. Mas o Fat5 também foi vítima da desorganização do evento e, com um tempo muito reduzido, não conseguiu apresentar tudo que preparou.

Os erros

Provavelmente as críticas ao Intercon 2008 serão “amaciadas” na Internet, já que boa parte do grupo de blogueiros formadores de opinião do país estavam envolvidos diretamente no evento ou com grandes amigos nessa situação.

Mas, a verdade é que o Intercon cometeu vários erros, de várias naturezas diferentes. E, ao contrário do que argumentou Luli Radfahrer, apenas uma parte dos erros estava relacionada à vontade do evento de “inovar”.
Logo na chegada, ficou perceptível que o espaço, apesar de consideravelmente grande, não era suficiente para as 900 pessoas no local. Além disso, o evento atrasou porque técnicos estavam tentando resolver algum problema de vídeo. Enquanto isso, as pessoas se espremiam sob um calor considerável na entrada do auditório.

Com o atraso do evento, o cronograma previsto foi inutilizado e ficamos sem parâmetros para saber o que acontecia nas oficinas externas, paralelas às apresentações no auditório.

A rede wireless proporcionada pela Dial Host não funcionou em momento algum. E não havia nenhum plano B. Chegou-se ao ponto de palestrantes não poderem mostrar conteúdo por não haver como se conectar.

Agora, entremos no polêmico ponto da “inovação” do evento e os erros teoricamente oriundos da mesma.

A inovação proposta era, na teoria, bem simples: duas palestras simultâneas em um palco. Cada uma sendo transmitida em um canal de rádio diferente. A platéia escolhe a qual palestra assistir mudando o canal em um aparelho que recebia na entrada do evento.

Pois bem. Considero que pelo menos metade do evento foi severamente afetada porque essa teoria não funcionou na prática. Dois palestrantes falavam no mesmo canal, trocavam de canal, um canal ficava mudo, etc. Tudo de errado que poderia acontecer, aconteceu. Apenas na segunda metade do evento essa “inovação” começou a funcionar de forma aceitável.

Em um dado momento, Luli, numa atitude até certo ponto injusta, chegou a afirmar que a inovação pela qual ele era responsável não estava funcionando porque a equipe técnica era fraca. Mas quem foi que escolheu essa equipe técnica? Quem é que deveria ter se previnido?

Tive a impressão de que Luli e a organização estão, de certa forma, “lavando as mãos” perante os erros através da justificativa de que “quem inova, está sujeito ao erro”. Mas não é bem assim. Do jeito que foi falado, parece até que inovação e erro são sinônimos.

Para se inovar de forma responsável, você precisa de testes exaustivos, planos alternativos e principalmente, um motivo para inovar.

O Intercon não teve nada disso. Não se testou o suficiente, não se soube o que fazer diante do erro e, em minha opinião, a inovação não era tão perfeita assim. Ou será que todo mundo realmente achou a experiência de duas palestras no mesmo palco tão fantástica a ponto de valer o risco de comprometer todo o evento?

Além disso, como comentou a Priscila, não dá pra engolir as mesmas pessoas que tanto criticaram outro evento na mesma semana, argumentarem que os erros do Intercon devem ser relevados simplesmente porque eles estavam “bem intencionados”.

Saldo final

Nulo. O conteúdo dos palestrantes realmente era de qualidade, mas, foi em grande parte prejudicado pelos erros de organização. E, segundo o próprio Luli, só valia a pena ir ao Intercon 2008 pela “experiência do ao vivo”. Afinal, todo o conteúdo será disponibilizado gratuitamente para todo o mundo, em alta resolução. Mas, já que a “experiência” não funcionou como previsto, não dá para dizer que valeu tanto a pena estar lá.

EDIT: Também não posso ser injusto. Boa parte dos profissionais envolvidos no Intercon 2008, foram também responsáveis pelo Intercon 2007, que, na minha opinião, foi um evento fantástico e histórico no país. O Imasters também tem que ser parabenizado por manter uma postura de diálogo perante a situação, atitude que condiz com a “cultura 2.0” por eles pregada. Acredito que o evento em 2008 cometeu sim seus erros, apesar de também acertar em muitos aspectos. Mas também acredito que em 2009 teremos um evento excelente. E eu espero estar lá para ver.

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Comentários:
18
  • […] vexame a que submeti a organização do InterCon. Saí para tomar um ar e ainda fui confrontado por uma galera cheia de certezas, que pôs o dedo no meu nariz dizendo que “essa história de duas palestras não […]

  • Sinceramente eu achei uma ótima iniciativa. Ficar na mesmice sempre? Luli está mais que certo em tentar inovar o jeito de dar palestras, ainda mais se tratando de inovação e tecnologia. Os problemas técnicos e erros são inevitáveis, e isso vai melhorando gradativamente. Particularmente achei excelente.

    Críticas são sempre bem-vindas, mas agora pessoas que tentam mudar e inovar, isso sim estamos precisando bastante no mundo.

  • Chico Ribeiro disse:

    O diferente pelo diferente. Extremamente forçado e sem propósito.

    É preferível uma palestra boa de cada vez. Vai que o sistema funcionasse perfeitamente. Aí você está assistindo a palestra A, então o cara da palestra B faz uma piada e todo mundo acha a maior graça, o que faria? O que você faria?!

    A meu ver eles buscavam algum jeito de fazer com o que o povo reclamasse depois. Na era do buzz marketing quanto mais falarem do seu evento melhor, já diriam os moderninhos da web.

  • Filipe disse:

    Eu tentei assistir pela internet no sábado mas não rolou. Cada hora era um problema de áudio e desisti.

    Mas eu achei deveras amadorismo do pessoal. Quem aqui já foi em palestra com tradução simultanea já deve ter recebido um equipamento desses com 2 canais, 1 em português e outro em Inglês.
    Pra mim é a mesma coisa par esse evento. Não sei porque eles conseguiram arranjar tantos problemas assim.

    Abraços!!!!

  • Rafael disse:

    @Pedro Será que o cara é mesmo só um mané que quer aparecer? Tem certeza disso?

  • Pedro disse:

    Eu fui no evento e achei esse Luli um mané que só quer aparecer, não houve uma palestra sequer que tivesse conteúdo, foi um bando de porcaria falando, falando e sem dizer nada. Só tinha EMO no evento. Parecia mais um espetáculo circence onde nada funcionada. Organização nota zero, não vou nunca mais e não recomendo a ninguém. Conteúdo zero, enrolação pura.

  • Leandro Ferreira disse:

    É o terceiro intercon que eu vou, e realmente entendi o motivo das palestras (“zapear”, sem precisar sair pra outra sala ou ter que comprar um ingresso pra palestras de design e outro pra de tecnologia) e, apesar de todos os problemas, ADOREI a iniciativa. Uma pena todas as zicas que ocorreram, mas paciência. Espero que melhore ano que vem.

  • Rebecca disse:

    ô povo que complica… pq não colocar cada palestra em uma sala?

    mania pós-moderna de fazer mil coisas ao mesmo tempo…

    acho que sou antiga… nem zapear canais eu consigo…

    nesse exato instante, mil palestras, seminários, filmes, discussões e reflexões muitíssimo interessantes estão acontecendo… fora os livros que já existem e os que ainda estão por vir…

    enquanto ficamos angustiados de estar perdendo tudo isso, deixamos de sentir o gosto bom do café que estamos tomando agora, e de olhar pros olhos tão bonitos da colega em frente, que acaba de nos sorrir…

  • Esta é, na minha opinião, a melhor análise do evento até aqui! Concordo em gênero, número e grau sobre o conteúdo deste post!

    Participo do InterCon desde 2005, mas este ano foi frustrante. Tenho fé que a equipe vai conseguir aprender com os erros e fazer um evento melhor em 2009.

    Abraço!

  • sinkos disse:

    Não consigo encarar 2 palestras na mesma sala como inovação…Além de ficar dependente do equipamento, em vários casos comprometia a interação com a platéia. Para mim, ficou mais com cara de economia porca ( pq não alugar 2 salões? ) do que inovação. E ainda, no final, tivemos que escutar ” temos 10 minutos para encerrar e liberar o teatro…”. Me desculpa, paguei e quero o conteúdo. Tirando a parte chata, os palestrantes eram fodas e conseguiram driblar os ERROS da organização. Conteúdo excelente.

    Palavras do Luli no post dele “Novamente não era nossa culpa, mas era certamente nossa responsabilidade.”

  • […] vexame a que submeti a organização do InterCon. Saí para tomar um ar e ainda fui confrontado por uma galera cheia de certezas, que pôs o dedo no meu nariz dizendo que “essa história de duas palestras não […]

  • Elisa disse:

    Eu não consigo achar que a possibilidade de escolher qual palestra ouvir seja uma grande inovação. Como assim que isso era o carro-chefe do Intercon? Trem barango. Eu ia fica p. da vida de ir no negócio e depois ter que assistir pela internet o que eu perdi. tsc.

    Adorei a parte do calor considerável.

  • Nívea disse:

    Também estou de olho nos vídeos. Quem souber quando estarão no ar e onde, favor deixar scraps marcando o caminho.

  • Rafael disse:

    Eu gostaria de ter participado. É claro que inovação não é desculpa para falhas. Como não participei, não posso dizer muito a respeito, mas essa prática deveria ter sido testada antes para avaliar possíveis erros.

    Espero que, assim como no ano passado, também tenhamos um InterMinas, organizado pelo Imasters também. Afinal, o do ano passado, as pessoas ainda não estavam familiarizadas com as mídias sociais, um dos temas tratados. Mas é assim, fica a lição para a próxima. Não deixou de ser um formato interessante.

  • Giovanni disse:

    Na verdade, queria resumir de que nada adianta uma inovação se ela não for funcional. Por pouco o imasters não foi um verdadeiro fracasso porque o pessoal lá correu e MUITO nos bastidores pra que na parte da tarde tudo pudesse ocorrer como previsto. (Digo “fracasso” porque a “bandeira” era de ocorrer palestras em paralelo – se elas não ocorressem, perderia o propósito da “experiência”, motivação esta levantada pela equipe sobre quem fosse presenciar o evento.)

    Erros acontecem, eu não sou daqueles que simplesmente criticam e saem xingando tudo pra se promover. Gostei sim do evento (tanto que foi o segundo ano do qual eu participei, e participarei novamente), mas, como foi muito bem dito, faltou o “plano b” ou para os que gostam de falar bonito “plano de contingência” – ao menos de forma explícita – para que o “clima ruim de insatisfação” lá presente tivesse sido evitado.

    Não adianta: tudo que é integrado VAI dar pau uma hora ou outra em algum de seus componentes, e é tarefa de quem planeja definir formas de minimizar problemas decorrentes dessas prováveis falhas.

    Não é nada fácil um evento desse porte. Não mesmo. Mas os organizadores devem ser humildes e entenderem que sim, houve erros, e não tentarem ficar achando justificativas “era difícil e inovador portanto tínhamos direito de errar” – será que se você comprasse um iphone no brasil depois de todo esse estardalhaço e ele não funcionasse como esperado, e ao tentar ler no faq da empresa de como proceder você recebesse essa resposta – “erros acontecem” – você aceitaria sem questionar?

    É bola pra frente, mas sem “botar mãozinha” na cabeça. Todos são muito competentes e acredito que não deixarão ocorrer isso de novo nas próximas edições. O problema não é errar, e sim você perceber que quem deveria te dar explicações sobre o erro parece demonstrar que também não sabe o que aconteceu – ao menos foi o que transpareceu no palco quando os próprios anfitriões questionavam da produção.

    Acredito que todo o grupo imasters aceitará de bom grado as críticas desde que construtivas e assim, ano que vem, estaremos sim nos gabando de termos estado num evento onde, mesmo que ocorram falhas, ninguém teria ficado parado pois saberiam colher frutos de inovação mesmo em momentos de tempestade. (Como fizeram ao colocarem o evento do DEZNecessários no momento EXATO que o clima de insatisfação era generalizado e poderia explodir em revolta explícita em qualquer momento. Foi muito bem pensado.)

  • Nó, e pensar que eu quase me inscrevi… Alguem sabe quando vão liberar os vídeos? Quero ver a tal palestra do Cris Dias que todo mundo está comentando…

  • Eu nunca vou me esquecer da fala, acho que do Manoel Lemos: “O Intercon, na sua versão 2008 foi o primeiro evento online sem internet”.

    Não foi por acaso que eu aproveitei uma parte do meu sábado pra fazer coisas mais relevantes.

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