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Diário de Bordo

Lápis Raro
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Luz no fim do corredor.

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O mundo moderno tem lá suas vantagens. É verdade que o planeta inteiro se mudou pra dentro do computador e pagamos um preço muito alto por passar boa parte da vida em frente à tela. Mas o lado bom é que algumas coisas ficaram bem mais simples. O que nos custou, claro, outras coisas mais complicadas que passaram a nos ser exigidas. Mas isso é assunto para outra hora.

O fato é que, nesse cenário, sempre me incomodou uma coisa que permanecia praticamente inalterada: a ida ao supermercado. Mesmo com carrinhos amplos. Mesmo com a fila para 10 itens. Mesmo com estacionamento grátis. Mesmo com o revolucionário código de barras, que já completa 40 anos de existência.

Ninguém até hoje tinha conseguido alterar o aspecto absolutamente imbecil dessa tarefa:

pára o carro no estacionamento,
pega o carrinho,
pega o produto e coloca dentro do carrinho,
pega o produto e coloca dentro do carrinho,
pega o produto e coloca dentro do carrinho,
pega o produto e coloca dentro do carrinho,
pega o produto e coloca dentro do carrinho,
espera na fila do caixa,
pega o produto de novo e passa pela esteira,
pega o produto na esteira e coloca no saquinho
(não sem antes se sentir bem culpada por isso),
enfia de novo o saquinho no carrinho,
desce com o carrinho para o estacionamento,
abre o porta-malas.

Pausa para um dilema: se você fez todo o esforço para colocar as coisas mais pesadas na parte de baixo do carrinho, como é que você vai transferir essa mesma lógica para o porta-malas agora?

Alguns palavrões depois, você finalmente conseguiu.

Mas ainda precisa ir pra casa:
pára o carro na garagem,
tira cada sacola do porta-malas.
coloca no elevador em várias viagens
(porque na vida você tem que ter uma das duas coisas: marido ou elevador),
pára o elevador,
tira cada sacola e coloca dentro de casa,
tira da sacola e coloca cada-coisa-em-seu-lugar,
guarda os saquinhos
(ou a sacola ecológica, se você for mais evoluído que eu),
sente culpa de novo no caso de ainda usar os saquinhos.

Aí vem a pior parte: com o tempo as coisas acabam!!!!!!!
E dentro de no máximo um mês começa tudo de novo.

Esse meu mau humor perdurou até outro dia, quando, depois de tentar o delivery, descobri a Odete. A melhor “secretária” do mundo, que agora passou a fazer o sacolão, o supermercado, o açougue (sorry, eu ainda como carne) e o que mais for preciso nessa área. A Odete, sim, é sinal dos tempos. Todo mundo precisa de uma na vida.

Mas ontem, assistindo ao Jornal Nacional, eu vi a esperança no fim do corredor. Pelo menos a etapa da esteira será eliminada. Mal posso esperar para desfilar como uma manequim nesse momento, ao som da música “Pretty woman”, do filme de mesmo nome. Poderosa e feliz.

Tudo bem, ao chegar em casa voltarei a ser a gata borralheira. Até que inventem o “personal-supermarket-colocator” pra guardar tudo pra mim.

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Comentários:
13
  • Prezado (a) Lapisraro,

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  • Bela disse:

    Oi Cris,

    se não bastasse tudo que você já citou o que concordo em gênero, número e grau, ainda temos que olhar validade e preço. É mole!! Haja paciência…

    Beijo

  • Inez disse:

    Cris, eu sempre pensei sobre esta situação…
    Que canseira fazer compras no supermercado, hein?
    Adorei seu texto.
    Parabens!
    Beijo

  • Carla Queiroz disse:

    Cris, minha vontade de ir ao supermercado é inversamente proporcional ao tamanho da lista e do meu saldo bancário. Mas não tenho preconceito de nada. Gosto de ir aos domingos e seguro a onda do processo carrinho, esteira, porta malas, escada (pequena, três degraus). O que me causa um certo mau humor é saber que nem elevador eu tenho, quiçá Odete… A título de curiosidade, meu primeiro e único casamento durou 10 anos e ele nunca foi ao supermercado. Eu ia, toda semana. Será que isso tem a ver? Tô boba.

  • Cecilia Torquato disse:

    Olha eu aqui dando palpite pela primeira vez!

    Pois aqui na Suécia alguns supermercados têm o sistema Shop Express. Funciona assim: a pessoa primeiro adquire o cartão do supermercado (faz cadastro, etc e tal) e depois pode fazer compras com um aparelinho onde vai registrando as mercadorias ao mesmo tempo em que coloca tudo nas sacolas, ou seja, vai comprando e empacotando de uma vez. Depois entrega o aparelho no caixa e paga o que foi registrado lá. Não tem que tirar tudo de novo e pôr na esteira para depois empacotar tudo outra vez.
    O QUÊ???
    Mas é muito fácil deixar de registrar as mercadorias e sair com a cara mais lavada do mundo, pensei eu – e deve estar pensando você.

    Eles fazem assim: de vez em quando fazem um controle surpresa para ver se o que foi colocado nas sacolas foi registrado na maquininha. Tipo polícia federal em desembarques internacionais: se a luzinha acender, pode se preparar pra abrir as malas – ou desempacotar as sacolas.
    O problema desse tipo de sistema é o preconceito: se você tiver cara de muambeiro ou de afegão, pode contar com a luzinha vermelha piscando.

    Eu desconfio que esses “controle surpresa” aconteçam com mais frequência para estrangeiros ou “pessoas de cara suspeita”. Mas o que é uma cara suspeita, afinal? Minha mãe (loira, alta e suequíssima) usa desse sistema há algum tempo. Eu não. Porquê? Porque a única vez que fizeram o controle surpresa na minha mãe eu estava ao lado dela, HAHAHAHAHA!
    Quem mandou puxar o papai?
    Esse mundo é mesmo podre.

    Conclusão: o Shop Express é a idade das cavernas da etiqueta
    inteligente.

    Vejam o filme (em sueco, infelizmente) no:
    http://www.coop.se/upload/modul/coopse/reklamfilm/Shop%20Express%20webben%20051115.wmv

  • Thaís disse:

    Cris,
    sabe o que é mais curioso? É que este nosso mundo tecnológico dá tanta volta para melhorar essa relação com o supermercado, enquanto nas cidades pequenas, onde não houve praticamente nenhuma mudança desde a época dos armazéns de secos e molhados, a solução é a melhor possível.
    Você passa por um supermercado (pode até ir a pé, passeando) escolhe, paga e o resto é todo feito pelos funcionários, que te entregam tudo rapidinho na porta de casa. Por um cafezinho, eles devem até guardar no armário!
    E você tem mais tempo pra ficar de bobeira, numa cidade onde já não tem muito o que fazer.
    bjs
    Thaís

  • stepaola disse:

    odeio supermercados.

    agora, sobre o carrinho e como fazer para passar 1 produto de cada vez no caixa, encontrei uma alternativa: as etiquetas de RFID. http://www.noticenter.com.br/adm_mkt/edicao04/070705_super_futuro.htm

  • Rebecca disse:

    Odeio ir ao supermercado também.

    Eu vi essa notícia da etiqueta há uns dois anos, e fiquei dividida entre dois sentimentos: euforia e tristeza… nossa vida melhorará muito, é certo. Mas milhões de pessoas vão perder o emprego, mulheres, principalmente… difícil, né?

    E ainda sobre o “tema”, se tiverem um tempinho, dêem uma olhada em: http://umasoutras.blogspot.com/2007/04/moa-do-caixa.html

  • Rafael disse:

    Acreditem, adoro ir ao supermercado. É estranho, mas gosto. Acho que me acostumei. Faço uma grande compra mensal, mas, toda semana acabo retornando. Concordo plenamento com a parte do elevado. E é aí que me estrepo. Não tenho elevador e, graças à Deus, não tenho marido. ENtão subo com a sacolada pelas escadas mesmo. Exatamente 87 degraus até chegar ao meu apartamento. Pois é, além disso tenho outra mania, não consigo subir escadas sem contar quandtos degraus tem. Mania estranha, né? E por falar em manias estranhas, através do blog adquiri mais uma. Direita-esquerda. Desde que li o texto indicado pela Carla no post sobre a orquestra, não consigo mais parar de tentar definir o que é um e o que é outro. Mas estou com uma dúvida tremenda aqui na agência. PC é de esquerda e Mac de direita? Ou será que depende do sistema operacional?

  • Cristiana Guerra disse:

    Carla, a experiência do meu primeiro casamento é exatamente o contrário: a única hora em que sinto falta do meu primeiro marido é na hora de fazer o supermercado. Ele fazia sempre e brilhava nesse quesito.

  • Manuel disse:

    Minha estratégia é simples: evito ao máximo fazer compras, mesmo que precise. E quando vou ao supermercado, compro só o básico. Isto torna minha alimentação bem menos saudável e me obriga a me virar com o que tenho; de vez em quando eu me enxágüo com detergente, escovo dente com pasta rosa, uso Bom Ar como desodororante e como pão de forma integral recheado com pão de forma normal. Mas não reclamo, no fundo, acho que vale a pena.

  • carla madeira disse:

    Cris, meu primeiro casamento durou 5 anos e eu fui ao supermercado 2 vezes. Não consigo me lembrar como eu fazia, porque o marido também não ia. Acho que não ir ao supermercado tem alguma coisa a ver com casamentos que acabam. Hoje, meu marido vai ao supermercado uma vez por semana e o casamento está indo bem.

  • saulo guarise disse:

    oi cris, compartilho do seu mau humor quando o assunto é supermercado. Mas tem gente que adora esse ritual, eu não entendo.

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