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Diário de Bordo

Lápis Raro
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Harmonia possível.

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Fui ver a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais tocando a Nona Sinfonia de Beethoven. Foi MA-RA-VI-LHO-SO. Um coro com mais de cem pessoas, uns oitenta músicos, quatro solistas e um grande maestro no palco. Já conhecia bem a música, mas ouvi coisas ali que nunca tinha ouvido. Fiquei hipnotizada em ver aquele som sendo feito na minha frente, sendo tecido notinha por notinha, a perfeição da dinâmica, a “mixagem” perfeita me fazendo ouvir cada timbre, cada instrumento, me fazendo sentir a textura delicada de cada voz melódica. Um rio para se deixar levar de olhos abertos, flutuando na delicadeza de seu fluxo. Melodias que se cruzavam, perguntas e respostas feitas de música, pequenas notas ouvidas no meio de grandes volumes. Lá na hora, pensei no delicioso texto do Antônio Prata, sobre a direita e a esquerda, e fiquei achando que o lugar para onde aquela música me levou não tem “lados”, é como se qualquer diálogo e entendimento fosse possível ali. Me lembrei de José Miguel Visnik, que em seu livro “O Som e o Sentido”, diz que as sociedades existem porque existe a música, é ela que nos dá certeza de uma harmonia possível no caos.

Até o final do ano serão várias apresentações. Vale a pena conferir.

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Comentários:
7
  • Intruso da Silva disse:

    Sem música a vida seria um erro e tudo passará mas a nona sinfonia é para sempre. A primeira é do Nietzsche, a segunda, do Bakunin.

    Bakana o texto do Prata.

  • Carla Queiroz disse:

    Poxa eu a-do-rei o texto do Prata, foi uma leitura oportuna. Desconfio que sou de esquerda , por que existe uma voz dentro de mim, que se exalta quando penso na direita. Ela me diz: Cuidado, a direita é transição e a esquerda é para sempre. Sobre a orquestra fiquei lembrando do tempo que era produtora cultural e freqüentava essa roda. Aprendi a “ler” música, interpretar inspirações, penso que assim elevo meus níveis de indução e me preencho. Estou gostando muito de ouvir dois álbuns do Pato Fu: “Toda cura para todo mal” e o “MTV ao vivo no Museu de Arte da Pampulha”. Em ambos há expressão, diversidade, boas histórias, viagens, afinação, bom gosto. Também gosto da profusão musical que eles fazem em algumas canções. Sou fã de carteirinha.

  • Rebecca disse:

    Pois é, acho que o Prata disse que o lápis é de esquerda porque a esquerda é “under construction” (não a esquerda “tradicional”, mas a visão de esquerda que ele tem). Enfim, o lápis tem mesmo essa coisa de poder ser apagado, de se refazer… Se bem que legal mesmo é lápis de cor… lápis de cor é anarquista? ou poeta? poeta não tem lados também… (a Patrícia que o diga)…

    A discussão é infinita… adoro discussões infinitas, bem de esquerda… rsrsrs!

    E a Nothomb é realmente muito bacana, Ju, tenho outros, se vc quiser, mas estão em espanhol, porque foi uma amiga minha que mora em Barcelona que descobriu. O melhor deles (na minha humilde opinião) tem em português, é o “higiene do assassino”, eu vi um exemplar lá na Ouvidor.

    Quanto à cerveja, agora eu posso. Entreguei a dita cuja tese e estou livre. Podem marcar que eu vou.

    Bjos!

  • Carla Carlota, vc viu o Hoje em Dia no domingo???
    Me dê a sua opinião, pois ela é muito importante prá gente.
    Beijos,
    Silvana Chiaretto
    Hoje em Dia

  • carla madeira disse:

    Ah, não Ju. Pode falar aqui mesmo e depois tomar cerveja pra falar mais.
    Rebecca é incrível como eu também penso que a Lápis é de esquerda. Mas quando penso que a principal qualidade de um lápis, sua mais profunda identidade, é poder ser apagado para ser novamente refeito, fico sem saber se isso tem a ver com a esquerda. Não sei se a esquerda tem dado conta de fazer a coisas de outro jeito, de se refazer. A Lápis tem muito mesmo de um lápis, uma disposição enorme de aprender. Disposição de aprender não é direita, mas é esquerda?

  • Juliana Sampaio disse:

    Off-topic: Ah, Rebecca, aproveitando que você está por aqui, preciso te contar que a Lu me emprestou o seu Amélie Nothomb. MA-RA-VI-LHO-SO! E agora ele tá dando um giro aqui na Lápis, pras meninas lerem. Vamos combinar uma cerveja, pra eu te devolver e a gente falar sobre? Beijo.

  • Rebecca disse:

    O texto do Prata é delicioso… descobri (ou melhor, confirmei) que sou mais pra esquerda do que pra direita… mas será que sou um pouco fascista por gostar de formigas?

    Lápis e de esquerda, vcs viram?!

    E a música, como o mar, não tem lados mesmo… são o tal do espaço liso do Deleuze… se bem que deleuze é super de esquerda…

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