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Diário de Bordo

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A dúvida, por Carla Madeira.

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Fechando mais um ano de muito trabalho e de muitas conquistas, realizamos ontem à noite já tradicional confraternização de final de ano da Lápis Raro para os clientes. Uma ocasião muito especial, em que nos reunimos pra comemorar as coisas boas do ano que passou, compartilhar o que fizemos juntos e nos inspirarmos para a nova jornada que começa.

Mais uma vez, um dos pontos altos do evento foram as palavras que a Carla Madeira preparou para a ocasião, baseadas nas reflexões que permearam nosso trabalho este ano e que, atendendo a pedidos, publicamos abaixo:

 

A DÚVIDA

A trajetória humana é o resultado da tensão entre preservar e transgredir*. O corpo quer preservar. A alma, transgredir. Funciona mais ou menos assim: o sujeito está parado em frente ao mar, em um lugar paradisíaco, dia azul, brilhante e agradável. Uma brisa suave deixa a vida perfeita. É quando a alma começa a se perguntar: “O que será que tem do lado de lá?” O corpo completamente feliz com o paraíso responde: “Não faço a menor ideia.” Então, a alma continua: “Acho que vamos ter de ir até lá.” “Como assim”, protesta o corpo!  Ir lá a troco de quê? Correr o risco de afogar, de ser comido por um tubarão!” “É, mas, se o único jeito de saber o que tem do lado de lá é indo lá, vamos ter que ir. Ou você prefere que eu vá sozinha?” O corpo, sabendo que não pode ficar vazio de alma, se conforma. E a alma, cheia de coragem e dúvida, se lança ao mar.

O que nos move são as perguntas, que organizam nossas dúvidas. Que não se calam e nos fazem seguir em frente. Os maiores empobrecimentos do mundo e as maiores violências nascem das certezas. Os fundamentalistas são aquelas pessoas com certezas tão absolutas que matam e morrem por elas. E fazem isso não pelo que acreditam, mas porque estão tão radicalmente sem dúvidas que não admitem que o outro pense ou seja diferente.

A obsessão pela certeza é uma tentativa de eliminar o risco. O medo do risco imobiliza. O sujeito passa as quatro estações dentro de casa. Não pode sair no verão porque o sol forte pode provocar câncer de pele. É verdade, pode. Não pode sair no inverno porque pode pegar uma pneumonia. É…pode. Não pode sair na primavera: vai que as abelhas, assanhadas com o pólen, resolvem atacá-lo. Isso pode até matar. Não pode sair no outono já que as folhas caem, e um galho pode cair junto, bem na cabeça do cara. Quem pode garantir que não? É isto que o medo faz: ele transforma a possibilidade, muitas vezes remota, em certeza. O medo é a certeza de que o pior vai acontecer.

Steve Jobs não fazia pesquisas de mercado para desenvolver seus produtos. Ele não ignorava a importância de saber o que o consumidor quer, ele simplesmente tinha a convicção de que o consumidor não sabe o que quer. Ele tinha a convicção de que o desejo pelo belo e pelo bom é universal. De que as pessoas querem produtos fáceis de usar, amigáveis. Querem coisas bem cuidadas, coisas simples, com formas e proporções elegantes, sem excesso, que funcionem. E digo que ele tinha convicção, a mais profunda convicção, mas não certeza porque Steve Jobs não era movido pela certeza, era movido pela capacidade de correr riscos. Ele errou algumas vezes e pagou caro, mas acertou muito mais vezes e ganhou muito mais do que perdeu. Acreditar em alguma coisa não elimina o risco, mas aumenta a coragem de enfrentá-lo.

Nos últimos tempos, todas as empresas que estão aqui viveram grandes dúvidas. Dúvidas de crescimento, de um futuro incerto, de não saber exatamente o que está acontecendo, de não saber como o outro vai reagir.  Dúvidas de um tempo moderno. Elas serão cada vez maiores pela dinâmica que está se desenhando. Mudanças rápidas demais, muita informação, muita competição, muita exigência, mais consciência, mais desejo, mais libido, menos tolerância, mais indicadores, mais resultados, muitas escolhas.

E o maior risco que corremos, o mais fatal, o mais caro é nos deixarmos acuar. É ignorarmos nossas intuições, eliminarmos nossa experiência, não suportarmos a crítica, perdemos o humor e a confiança no que somos, no que queremos e podemos ser. A certeza absoluta nunca virá porque a vida é a metáfora do risco.

Que em 2012 a dúvida nos acompanhe, nos faça atravessar os mares e nos inspire a ser originais, criativos, ousados. Para que possamos, aí sim, sem dúvida nenhuma, ser únicos.

*”A Alma Imoral” – Nilton Bonder

Para ver algumas imagens da festa, acesse nosso Facebook.

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