Fui apresentado a B. Traven pelo Carlinhos, da Quixote. Quando apertou minha mão, Hal Croves deixou claro que era anarquista. Anton Riderscheidt também me contou que tinha passaporte inglês, americano, sueco, norueguês, lituano, alemão e mexicano. Ao fim, Ret Marut se despediu me convidando para fazer uma visita, qualquer dia desses: ele vivia exilado, por vontade própria, nas selvas do México.
É, é isso mesmo. Fora o Carlinhos, os outros quatro são a mesma pessoa. E outras também, reais ou imaginárias. Mas de verdade de verdade, no duro no duro, ninguém sabe quem é ele.
Os suspeitos são muitos, como dois ex-presidentes mexicanos, um filho bastardo do kaiser Guilherme II e um grupo de escritores esquerdistas americanos. Mas nenhum mordomo na lista. Até agora.
Traven não acreditava em identidade – aceitar o nome dado pelos pais é, de alguma forma, se submeter à ordem vigente – nem em autoria – pois a própria figura da celebridade consiste numa autoridade do meio cultural. Não existem pistas do que o próprio B. abrevia. Ele construiu detalhadamente cada um dos Travens. Forneceu pistas verdadeiras e falsas de um por um. E ainda escreveu muito. Taí um sujeito que sabia se divertir.
Virou o escritor preferido de Einstein e Churchill. Um dos seus contos, Macario, foi escolhido por Jorge Luis Borges para integrar a antologia do melhor da literatura fantástica universal. Foi o que eu li – além de O Visitante Noturno – e gostei muito.
De concreto nessa bagunça toda, só sei que eu vou ler mais Traven. E vou ler mais sobre a vida do Traven. E vou fazer minhas apostas.
Todo mundo é suspeito. Inclusive o Carlinhos.
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O dia em que conheci B. Traven
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Taí um suspeito que eu vou começar a perseguir imediatamente. Arrasou!
Conheci B. Traven também através do livro O Visitante Noturno.
O cara é uma fera. Já li também Uma Ponte sobre a Selva, impressionante relato de um fatídico desaparecimento de uma criança indígena nas selvas mexicanas. É muito fácil encontrar edições de seus vários livros nos sebos nacionais. Que bom!
abrssssss