Sexta-feira passada, tive o prazer de ver o show da banda Battles, de New York, encerrando o Festival Eletronika em BH. A banda, que faz um som muito pirado, lotou uma boate na Savassi e fez a galera ficar de queixo caído (pelo menos eu fiquei!) com sua sonoridade. Paralelamente, também participei do debate sobre cultura e novas mídias, o “Nós e a rede”, promovido pela organização do evento e desenvolvido em três fóruns. O que me surpreendeu foi que nos três dias de debates, o primeiro sobre blogs, o segundo sobre produção de música independente e o terceiro sobre vídeo e televisão digital, todas as pessoas comentaram sobre a teoria da “Cauda Longa“, desenvolvida pelo articulista da revista Wired, Chris Anderson.
Tive a oportunidade de perceber que, ao contrário do que pensava, o mercado fonográfico não está quebrado ou falido, ele apenas se pulverizou em centenas de gravadoras pequenas, festivais de música independentes, sites de música, revistas especializadas espalhadas por todo o mundo: as nanoaudiências. Segundo Fabrício Nobre (MQN), organizador de festivais e produtor musical, o mercado da música nunca ofereceu tantas oportunidades, tanta movimentação cultural e econômica. Mas, agora, de uma forma horizontal.
E o que a banda gringa que tocou na sexta tem a ver como isso? Pois é, eles, que lançaram seu primeiro disco em maio, já conseguiram fazer uma turnê no Brasil, com público garantido, tendo tocado em capitais como Belo Horizonte e Goiânia. Tudo graças a um som poderoso e a uma boa divulgação na rede por meio de sites como o “myspace.com” e o “youtube.com”. E, pra quem pensa que os caras já são popstars, eles mesmos desmontaram a parafernália e carregaram tudo depois do show, assim como uma boa bandinha de garagem. Éhh ! Na nova economia é assim.
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A cauda é longa! O poder das nanoaudiências.
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Isso mesmo! Dizem por aí que o mercado agora é de nichos e não mais de massa, né? E os nichos cada vez mais “solúveis em água”.
A vida vem na frente mesmo, né? Gostei de ouvir nosso ministro da cultura dizer alguma coisa parecida com isso em relação a todas essas mudanças na indústria fonográfica. É preciso mudar com a mudança e não tentar impedí-la, como acho que foi a reação incial. Quem fica parado perde o bonde, que vai com ele conhece outras possibilidades.