por Rafael Damasceno
27 de outubro, 2008, 15:06
No último sábado aconteceu em São Paulo o Imasters Intercon, o maior congresso sobre Internet do Brasil. Daqui da Lápis Raro, marcaram presença eu, Steffania Paola e Júnio Vitorino. O tema do evento foi “Inovação Digital”. Para discuti-lo, foram convidados grandes nomes do mercado nacional. De blogueiros consagrados a presidentes de grandes empresas.
Neste ano, o evento se propôs a inovar na sua própria fórmula. No palco principal, ocorreriam sempre duas palestras simultâneas. E, através de um fone de ouvido, a platéia poderia escolher qual das apresentações iria acompanhar.
Pelo menos era assim que deveria ter sido.
Os acertos

Na abertura do evento, Stelleo Tolda, presidente do Mercado Livre, fez uma boa apresentação. Mostrou o cenário atual do e-commerce brasileiro e ainda comentou sobre como conseguir inovar nesse cenário.
Em seguida, Gil Giardelli, CEO da Permission, trouxe uma palestra muito interessante sobre a “humanidade 4.0”, discutindo o futuro da Web colaborativa. Devido a problemas do evento (discutidos mais a frente no post), Giardelli não conseguiu terminar sua apresentação.
Já na parte da tarde, um dos grandes destaques do evento foi a dobradinha de Manoel Lemos e Daniel Heise, falando sobre projetos inovadores. Suas palestras souberam desenhar muito bem o cenário atual e ao mesmo tempo colocar a platéia para pensar em questões muito mais subjetivas. Excelente.
O último destaque positivo do evento é o painel Fat5, com 5 grandes figuras da comunicação digital do país como Mentor Muniz Neto (Bullet) e Ricardo Cavallini. O Fat5 trouxe muito conteúdo para se discutir com toda a platéia. Perguntas enviadas anteriormente foram respondidas no palco; toda a platéia pode opinar através de cartões, enfim: Muita inovação e esforço dos palestrantes para fazer um painel realmente interessante. Mas o Fat5 também foi vítima da desorganização do evento e, com um tempo muito reduzido, não conseguiu apresentar tudo que preparou.
Os erros

Provavelmente as críticas ao Intercon 2008 serão “amaciadas” na Internet, já que boa parte do grupo de blogueiros formadores de opinião do país estavam envolvidos diretamente no evento ou com grandes amigos nessa situação.
Mas, a verdade é que o Intercon cometeu vários erros, de várias naturezas diferentes. E, ao contrário do que argumentou Luli Radfahrer, apenas uma parte dos erros estava relacionada à vontade do evento de “inovar”.
Logo na chegada, ficou perceptível que o espaço, apesar de consideravelmente grande, não era suficiente para as 900 pessoas no local. Além disso, o evento atrasou porque técnicos estavam tentando resolver algum problema de vídeo. Enquanto isso, as pessoas se espremiam sob um calor considerável na entrada do auditório.
Com o atraso do evento, o cronograma previsto foi inutilizado e ficamos sem parâmetros para saber o que acontecia nas oficinas externas, paralelas às apresentações no auditório.
A rede wireless proporcionada pela Dial Host não funcionou em momento algum. E não havia nenhum plano B. Chegou-se ao ponto de palestrantes não poderem mostrar conteúdo por não haver como se conectar.
Agora, entremos no polêmico ponto da “inovação” do evento e os erros teoricamente oriundos da mesma.
A inovação proposta era, na teoria, bem simples: duas palestras simultâneas em um palco. Cada uma sendo transmitida em um canal de rádio diferente. A platéia escolhe a qual palestra assistir mudando o canal em um aparelho que recebia na entrada do evento.
Pois bem. Considero que pelo menos metade do evento foi severamente afetada porque essa teoria não funcionou na prática. Dois palestrantes falavam no mesmo canal, trocavam de canal, um canal ficava mudo, etc. Tudo de errado que poderia acontecer, aconteceu. Apenas na segunda metade do evento essa “inovação” começou a funcionar de forma aceitável.
Em um dado momento, Luli, numa atitude até certo ponto injusta, chegou a afirmar que a inovação pela qual ele era responsável não estava funcionando porque a equipe técnica era fraca. Mas quem foi que escolheu essa equipe técnica? Quem é que deveria ter se previnido?
Tive a impressão de que Luli e a organização estão, de certa forma, “lavando as mãos” perante os erros através da justificativa de que “quem inova, está sujeito ao erro”. Mas não é bem assim. Do jeito que foi falado, parece até que inovação e erro são sinônimos.
Para se inovar de forma responsável, você precisa de testes exaustivos, planos alternativos e principalmente, um motivo para inovar.
O Intercon não teve nada disso. Não se testou o suficiente, não se soube o que fazer diante do erro e, em minha opinião, a inovação não era tão perfeita assim. Ou será que todo mundo realmente achou a experiência de duas palestras no mesmo palco tão fantástica a ponto de valer o risco de comprometer todo o evento?
Além disso, como comentou a Priscila, não dá pra engolir as mesmas pessoas que tanto criticaram outro evento na mesma semana, argumentarem que os erros do Intercon devem ser relevados simplesmente porque eles estavam “bem intencionados”.
Saldo final
Nulo. O conteúdo dos palestrantes realmente era de qualidade, mas, foi em grande parte prejudicado pelos erros de organização. E, segundo o próprio Luli, só valia a pena ir ao Intercon 2008 pela “experiência do ao vivo”. Afinal, todo o conteúdo será disponibilizado gratuitamente para todo o mundo, em alta resolução. Mas, já que a “experiência” não funcionou como previsto, não dá para dizer que valeu tanto a pena estar lá.
EDIT: Também não posso ser injusto. Boa parte dos profissionais envolvidos no Intercon 2008, foram também responsáveis pelo Intercon 2007, que, na minha opinião, foi um evento fantástico e histórico no país. O Imasters também tem que ser parabenizado por manter uma postura de diálogo perante a situação, atitude que condiz com a “cultura 2.0″ por eles pregada. Acredito que o evento em 2008 cometeu sim seus erros, apesar de também acertar em muitos aspectos. Mas também acredito que em 2009 teremos um evento excelente. E eu espero estar lá para ver.